sábado, 28 de maio de 2011

APNÉIA


APNÉIA
Antonio Peripato 28/05/2011


Falta ar
Os músculos acessórios
Tentam desesperadamente ajudar

Falta mais do que ar
Falta tocar o acústico
Ruído adventício rústico
Do oxigênio a entrar

Vias aéreas a obstruir
Epiglote a fechar
As cordas vocais a calar

Falta ar
Murmúrio vesicular
Que escapa da ausculta
Que esconde a escolha
De inspirar
De inalar

A repercussão não perdoa
A percussão não ressoa
Falta ar
Mas muito mais pessoa

Ninguém perde por perder
Não se perde sem ganhar

Falta ar
Sobra inspiração
Estertores a crepitar
Redobra o coração
a disparar...
O primeiro choro...
é o ar entrando sem saber
O último suspiro...
É o ar deixando o seu ser

Ar falta
hipóxia
paranóia
Apnéa

1 comentários:

Anônimo disse...

Caramba ... como voce ta ficando cada vez mais poético adorei sobre os trinta... Abrção Tulim.

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