terça-feira, 28 de junho de 2011

FAGULHAS DO TEMPO


FAGULHAS DO TEMPO
ANTONIO E ROBERTA PERIPATO 31-12-09

Lembrar pra quê
Se há coisas que se quer esquecer
Lembrar o quê
Se há só o vácuo inócuo
Se é oco fato
Melhor lembrança é o olfato

Do que eu posso sentir
quase que vejo
Do que eu posso prever
Obscuro objeto de desejo
Deserto...
Areia sem fim
Espaço sideral em mim
Buraco negro
Estrela apocalíptica final
Coisa meio soturna
Vida noturna
Ou não vida
Adeus, amor antigo
Lembrado
Espaçado em fagulhas de tempo
Queimado
Adeus amor gritado
Espelhado em momentos
Sem reflexo
Passado sem nexo
Lembrar porquê
Melhor às vezes esquecer...

(poema para o fim precognizado com alguém)


ANTONIO PERIPATO 05/2009
part. Roberta

Só não vivi aquele amor
que a mãe sonhou
O casal de filhos que ela imaginou
A morena não surgiu

A única chama que sobrou
não aproveitei
só as mães são felizes
Ou não são

Desculpas não cabem mais
Este porto não tem mais cais
Nem esperança
Chega de lembrança
Naufragam as lembranças felizes
Dispersam raízes

Nunca escrevi contíguo
A dor é muito pessoal
e intransferível
Evolui sem limites
Sentimento sofrível

As pessoas são as mesmas
em todo lugar
Tem carências
dependências
Estar junto e ser social
Necessidade de ser único
Sem saber que é óbvio

sábado, 28 de maio de 2011

APNÉIA


APNÉIA
Antonio Peripato 28/05/2011


Falta ar
Os músculos acessórios
Tentam desesperadamente ajudar

Falta mais do que ar
Falta tocar o acústico
Ruído adventício rústico
Do oxigênio a entrar

Vias aéreas a obstruir
Epiglote a fechar
As cordas vocais a calar

Falta ar
Murmúrio vesicular
Que escapa da ausculta
Que esconde a escolha
De inspirar
De inalar

A repercussão não perdoa
A percussão não ressoa
Falta ar
Mas muito mais pessoa

Ninguém perde por perder
Não se perde sem ganhar

Falta ar
Sobra inspiração
Estertores a crepitar
Redobra o coração
a disparar...
O primeiro choro...
é o ar entrando sem saber
O último suspiro...
É o ar deixando o seu ser

Ar falta
hipóxia
paranóia
Apnéa

quarta-feira, 18 de maio de 2011

TRINTANOS


TRINTANOS
ANTONIO PERIPATO

Tem coisas que agente precisa viver
Tem dias que agente precisa ser
Tem momentos que não se pode prever

Tem músicas que só agente pode escutar
Tem flores que não podem murchar
Tem dores que se tem que compartilhar
E tem podres que não se podes contar

Tem amigos que não se pode estimar
Tem sonhos que não pode sonhar
Tem drogas que não se deve tentar
Tem riscos que não se queres correr
Tem corridas que não se pode vencer

Tem casos que não querem casar
Tem amores que não se queres viver
Tem fogo que queima e não se pode queimar
Tem hoje o que não se pode prever
Tem provas que não se pode passar
Tem passo que não se pode cair
Tem queda que não se atreva a tentar
Tem treva que não se leva a pensar

Tem gente que por mais que é gente
Não sabe sambar
Tem samba que não leva a dançar
Tem dança que tropeça no ar
Tem pés que escorregam no chão
Tem chão que não pode dar pé
Tem gosto que não gosta de estar
Tem gente que vive a sonhar
Tem sonhos que se tem que acordar
Tem acordes que se tem que tocar
Tem toques que o mundo te dá
Tem vida que se vem pra passar
Tem posses que não se queres querer
Tem credos que não se deve crer

Tem luzes que não se pode apagar
Tem leis que não se podes cumprir
Tem noites não se podes durmir
Tem dias que não quer levantar

Tem lágrima que não tem cair
E sorriso que não deve conter
Tem dia que você acorda e tem pouco
Tem gente sã que fica louco

E sim
Tem mais um ano que brinda
E tem mais
Todos os anos em trinta.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O CASO DO ACASO


O caso do acaso
Antonio Peripato 12/12/2010

O condicionamento intermitente funcionou
Foi em mim que ele ficou
O acaso me pregou uma peça

Foi o inverso do que planejei
Tudo diferente
Nada disso eu sei

Fiz caso do acaso
E agora o que era caso
Não sai de casa

Não tem mais desculpa
Nessa garagem cabem todos os carros do mundo

Vive tudo em tão pouco tempo
O tempo as vezes voa
E muitas vezes para
É parecida mais nem tanto

Já tem coisa que é só nossa
Volto a ouvir a bossa
E nossa!!!
Madrugada não é fossa.
Quando não se tem o que comemorar
É brindar por não se ter o que chorar
É voltar a sentir o que não sente
Corpo é movimento
Novo momento
Espumante que degusta
Ela toma mas nem gosta
Os estralos das papilas
Os estragos que ela faz
Irreparáveis...

Os fuscas azuis
E as risadas amarelas
Como o que não se pode ter pensado,
pode ser tão vivido?
Ela acorda e o dia sorri de volta.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

PARA GLIDER

PARA GLIDER
Antonio Peripato 12/10/2010

PARA GLIDER
PARA TUDO
PARA RAIO
PARA O ALTO
PARA O SALTO
PARA A VIDA
PARA O VENTO
PARA SEMPRE
O MOMENTO...
PARA PAINT
PARA GENTE
PARA SER
NÃO PARA VÔO!!!
QUE EU NÃO QUERO DESCER
PARA O SOL
PARA O CÉU
PARA O SOM
PARA VER
PARA PAINT
PARA SER PARA SEMPRE
DIFERENTE...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O homem transparente

O HOMEM TRANSPARENTE 31-12-09 Antonio Peripato

O homem transcedente
Caminha ao sol nascente
E ele nasce pra vida
E a vida não nasce pra todos

Cresce, reproduz e morre
Às vezes sem nascer
Às vezes sem viver
Face sem rosto
Senhor sem gosto
Amor sem gostar
Gostar sem amor
É só o tempo gastar...

O homem transparente
Transcedente...
Completo em si mesmo