quinta-feira, 28 de janeiro de 2010



TIC TAC
ANTONIO E ROBERTA PERIPATO 30/08/2009

A dor é agora
Depois passa
E se já foi
Sei lá
Não sei
Não volta
Se volta
Revolta
Não quero
Vira arrependimento
Tormento
Sofrer em vão

A dor é agora
É bom repetir
Aprender pra sentir
Deixo o relógio parado
Calado...
Parede vazia
Algo aconteceu comigo
Não sei quando mudei
Não escuto mais:
TIC TAC TIC TAC
Perdi a referência
De nada me adianta o tempo
Nem a ciência
Teorias , explicações
Nada
Só a essência ...

Manuel Bandeira - Pasargada


Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira

Vou-me Embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha falsa e demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

HOJE


HOJE
ANTONIO PERIPATO 08/08/2009

Essa casa que eu não tinha
Essa roupa não é minha
Minha vida não vidinha

O presente é o resultado
É o futuro inesperado
De um passado bem traçado

As vezes rasurado, reescrito e reinventado...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Cada Dia Um Pouco


CADA DIA UM POUCO
Antonio Peripato 04/07/2009

Já não vejo a dor de antes
Já não tenho a dor de entes
Ser valente
Viver o igual
Um pouco diferente

Não escuto mais besteira
Não vivo mais a beira
Quero sempre quem me queira

No soturno apartamento
Noturno divertimento
Procuro meu alento

Cada dia um pouco
Sou um pouco certo
Certamente louco

Cada dia um pouco...

Saudade do mar
Vontade de cantar
Que beleza é amar

Amor que não se prende a outrem
Vai e vem ...
As vezes sem ninguém
E continua amor
As vezes sem amar

Drummond - Jose


José
1960 - ANTOLOGIA POÉTICA


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...

Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

SO LONG


SO LONG
Antonio e Roberta Peripato 29/08/2009

Eu não sei
Eu não sou
Com inspiração
Caneta na mão

Momento de reflexão
Eu não digo
Eu digiro
Eu engulo
Morro aos poucos

A inspiração me falta
A respiração faz falta
Digo o que não quero
Não digo o que quero

Faço o que eu não faria
Se tudo fosse normal !

Você pensa que é tudo igual
Nem vê o quanto tudo mudou
E você e eu também

E que se as experiências fossem simultâneas
Melhor trocar as variáveis
Então adeus
Good bye ,so long
Foi bom
Não me arrependo de nada…

EM TEMPO



EM TEMPO
ANTONIO PERIPATO 12/12/2009

Eu preciso te esquecer
Viajo no tempo todo dia
Já fui no passado e
agora o futuro
Mas você é tão presente...

Final de semana
É o silêncio absoluto
Luto pelo que não nasceu
Luto...

Nem recado, nem mensagem
Nem nada
Procuro me distrair
Acho que vou sair
Entrar em outra jogada
Mas nesse jogo eu só perco
Tudo pra banca

Período de latência
Não tem sinal e sintoma
Mas eu sinto
Sinto a falta de quem eu não tenho
Tenho que esquecer
Vou me lembrar disso...
Mas sei ...
Não vou sofrer
Porque o tempo tem seu tempo certo pra acontecer

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Chama fonte

Chama – Fonte
Antonio Peripato jan 2009

Que saudade de ti
Por onde andaste que não vi
Foste embora devagar
Como se não fosse
Foste como o fogo
Que queima a pele
E deixa cicatriz
Por ela vejo tudo que fiz
E tudo que me davas
Achei que te detestava.
Mas agora sei que sempre me amava
E não foste correspondida
Oh !!! minha querida...

Quero que me aceites de volta

Não sabia que eras tão importante
Que eras minha eterna amante
Não sabia o que era te ter
Só soube te perder
Oh chama fonte de todo o viver
Chama forte de todo sofrer
Chama –te solidão
Não posso não ficar
sem você



É de você que todos fogem
E por você muitos se vão
Dizem que é culpa sua
Solidão
Acredito não

Por você somos e não somos...

Você está em tudo
Versos, música, canções
Tem vários amores
Tem em muitos corações

Mas nenhum é igual ao meu
Prometo lhe o céu
Mas não pretendo ser fiel
Preciso de ti para ser
Preciso de ti para ter

Oh chama fonte de todo o viver
Chama forte de todo sofrer
Chama –te solidão
Não posso não
ficar sem você

Poesia enviada por BIA

Tu és

Tu és como o vento
que sopra com fúria
que ruge e enraivece
levando pra longe
as nuvens pesadas
de tanto pesar

Tu és como a chuva
que cai tão suave
molhando tão terna
a terra escaldante
que chora de alívio
e de tanto esperar

Tu és como o cheiro
de terra molhada
tão forte e tão doce
que mesmo de longe
seguindo no tempo
inda paira no ar

Tu és como o sol
que nasce de dia
trazendo alegria
espalhando energia
irradiando euforia
buscando só dar

Tu és como o universo
igual a uma prece
que cura e acalenta
Tu és a beleza
das coisas da vida
da terra e do ar

Fabiana Duarte

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

SOUL PRÉDIO


SOUL PRÉDIO
Antonio Peripato 31/08/2009

Sou como esse prédio de apartamentos...

Estrutura simples
Concreto e tédio
Misturado com arrependimento

Abro as janelas pra entender as pessoas
E sai a fumaça do meu mundo

Muitas pessoas chegam
Várias saem
Nem as conheço
As vezes tropeço nos meus degraus

Sobe e desce
E as vezes alguém aparece

Tem sempre um inquilino barulhento
Várias janelas
E só uma porta
A parede parece que entorta

De todas as partes é que se forma um...
Não fui meu próprio arquiteto
Mas foi assim que me construí
Me importo com os que ficaram
E àqueles que me chacoalharam
Não me derrubaram
Sei de novo que não vou ruir
As rachaduras são irreparáveis
Da pra sentir
Agora sei é sério
Nem só de concreto vive um prédio.

Poetas Perdidos

POETAS PERDIDOS
Antonio Peripato 10/12/2009

Pobres poetas perdidos
O poeta sofre sem porquês
Escreve nutrindo seus prazeres
Mas não vive sem sofreres

Todo dia encontro poetas perdidos
Suas poesias escondidas
Rimas mal vividas
Vidas mal versadas

A vida é simples como a poesia...
Fica difícil quando se tenta interpretar

Pobres poetas perdidos
Que descubram que já nasceram prontos
Seriam mais fartos os pratos
Seriam mais brandos os prantos
Algumas lágrimas ...
Mais nem tanto.

Pobres poetas perdidos
Perdidos e pobres
Mas poetas...

O homem é o que se mostra
O poeta nem se gosta


Poetas calados
Palavras sem som
Fumaça sem fogo
Casal sem canção

Os poetas estão todos por aí
Estão todos bêbados
Sem bebida
Estão todos sem saída


Mas o melhor da poesia
O melhor mesmo da poesia
É que ela não depende de poetas...

Solidão Desejada

SOLIDÃO DESEJADA
Antonio Peripato 06/01/2009

A solidão é quase sempre deletéria
Tão violentamente presente
Que parece matéria
Ambígua e onipresente
Nociva e criadora
Torturadora Inconsciente
Da batalha duradoura

Auto resgate, descobrimento
Reconhecer o que era segredo
e agora é manifesto
Crio sempre um condicionamento intermitente
Nado contra a corrente
Deixo sempre alguém na mente

Contradição inquietante
Da solidão do solitário
Tornar se o vigarista vigário
Deitar a solidão do otário
Permiti meu tempo de parada
Férias Filosóficas do Ser

O mundo é denso...
Tenso...
Penso!!!
Deixá-lo leve, líquido
Livre do consenso
Vivo a solidão de estar só
Estar só para ser
Vivo-a para não perecer...

Pessoa é Pessoa

Fernando Pessoa

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Vendaval

Ó vento do norte, tão fundo e tão frio,
Não achas, soprando por tanta solidão,
Deserto, penhasco, coval mais vazio
Que o meu coração!
Indômita praia, que a raiva do oceano
Faz louco lugar, caverna sem fim,
Não são tão deixados do alegre e do humano
Como a alma que há em mim!

Mas dura planície, praia atra em fereza,
Só têm a tristeza que a gente lhes vê
E nisto que em mim é vácuo e tristeza
É o visto o que vê.

Ah, mágoa de ter consciência da vida!
Tu, vento do norte, teimoso, iracundo,
Que rasgas os robles - teu pulso divida
Minh'alma do mundo!

Ah, se, como levas as folhas e a areia,
A alma que tenho pudesses levar -
Fosse pr'onde fosse, pra longe da idéia
De eu ter que pensar!

Abismo da noite, da chuva, do vento,
Mar torvo do caos que parece volver -
Porque é que não entras no meu pensamento
Para ele morrer?

Horror de ser sempre com vida a consciência!
Horror de sentir a alma sempre a pensar!
Arranca-me, é vento; do chão da existência,
De ser um lugar!

E, pela alta noite que fazes mais'scura,
Pelo caos furioso que crias no mundo,
Dissolve em areia esta minha amargura,
Meu tédio profundo.

E contra as vidraças dos que há que têm lares,
Telhados daqueles que têm razão,
Atira, já pária desfeito dos ares,
O meu coração!

Meu coração triste, meu coração ermo,
Tornado a substância dispersa e negada
Do vento sem forma, da noite sem termo,
Do abismo e do nada!

Fernando Pessoa, 16-2-1920.

Doce Ironia

DOCE IRONIA
20/11/2009

Você dá vontade de rir e de chorar
Dá vontade de te navegar
Mas que correnteza...

Não conversamos
Fazemos poesia
Que isso Quintana?
Quinta não você
Nem eu, não deu
Você foi o presente mais bonito
que não aconteceu

Até nossos amigos se entendem
É tão simples pros outros

Difícil é conter
Eu não poderia te ter
E você não queria querer

Somos tão parecidos
Parecemos um

Nosso presente não é o agora
Mas é agora que vivo
E não vivo
Sei do que preciso

Fez festa pra mim
Os olhos não mentem
Eu queria controlar
Mas não consigo parar de pensar

Doce ironia amorosa
No meu aniversário você apareceu
E foi o presente mas bonito que não aconteceu

Doce ironia
Gostei de quem eu menos podia
Te vejo no futuro
De passado eu já to cheio...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Outra poesia


INFARTO AGUDO DO MEU CARDIO
07/01/2009

360 JOULES monofásico
Afastem se...
Compressão, respiração
Façam o que puder
Salvem esse coração

Dêem epinefrina
Atropina
Qualquer coisa me anima

Mas não deixe que ele pare
O corpo ainda resiste
É só o coração que desiste

Dêem um soco precordial
Faça o não convencional
Se for preciso abra o tórax
Faça manual

Mas reanime esse coração
Dê drogas, dê tubo
Dê tudo
Só não faça
Viver em vão

Quero tanto uma revascularização...

Quero viver outros dias
Sinusais taquicardias
Façam um eletrocardiograma
Quero identificar meus dramas
Meus ritmos , meus complexos,
Tantos foram meus anexos

Me análise
Monitorize
Deixe ver a causa
Onde foi o deslize

Só não me dêem um novo coração
Transplante não!
Porque esse já sabe o que é viver
Ele já sabe o que é sofrer

Mesmo infartado
O coração é enfadado
A viver outra emoção
Reanime esse coração

Nova Poesia


NUM CAMPARI
Nunca pare!
Num campari.
Nunca ampare
Se não for desejado
Nunca é tarde
Se estiver preparado
Só e acompanhado
Num Campari vejo:
Vermelho, amargo, doce;

Limão e gelo para amenizar...
Não desista
Nunca pare
Num Campari
Fica depois sempre melhor...
Nem sempre homem
Quase menino
Num Campari
Água Tônica de Quinino

Noutro dia apita um tweeter....
Noutra noite amargo o bitter.

Mesa, praia, bar,
Pessoa faz lugar,
Campari faz pensar:
Que a vida é só mudar
Mudo e continuo a falar
No papel vermelho
Do Campari a derramar
Não se desampare
Num Campari

Que nunca se depare
Com a vontade de um Campari
De ser suave
Pra agradar a todos
Quando é amargo
Pra agradar a tolos

Nunca par
Se só comparar
Campari e acampar
Nunca Ímpar
Num comprar
Felicidade é ganhar

Num compare
Nunca pare
Num Campari...

UNI-VERSANDO

10/01/2009

Cada um tem um tempo
Cada qual o vento
Cabe a qual o lenço
Cada um tem um verso
Palavras unem o verso
Uni verso

Quem já teve um amor morrido
Quem chorou no leito da amante
Quem já perdeu a conta dos amores embora
Quem á foi embora querendo ficar
Quem já teve casamento a separar
Quem já teve filho a longe ficar
Quem já teve um bom emprego
a se desempregar
Quem já terá sido do amor demitido
Quem do amor terá sido traído

Quem não viveu o abismo
Não sabe como é a queda
Quem não teve a vida por um triz
Nem nunca nem quebrou o nariz
Não sabe o que ser feliz

Somente um verso versa o verso
Universo solitário
De um universitário...